Tenho visto em diversos blogs e websites, comentários sobre a infância de quem hoje tem seus 30/50 anos, muitos comentam que quando criança/adolescente eram extremamente felizes, subiam em árvores, rolavam ladeira abaixo em carrinhos de rolimã, esperavam ansiosos por 27 de Setembro para ganhar sacos com “doces de Cosme e Damião”(gente como eu fiz isso!!) sem nenhuma das neuras da vida moderna, e eram muito felizes, tornarem-se adultos, e eu particularmente não conheço ninguém dessa geração que tenha se tornado psicologicamente traumatizado por ter sido criado daquela maneira.
E as coisas não eram fáceis não! Se compararmos o que tinhamos ao nosso redor(sim eu me incluo naquela geração) com os padrões do que seria politicamente correto hoje, iremos nos perguntar como nós sobrevivemos?
Me lembro que um dos programas de TV, supostamente feito para crianças, com grande audiência era composto de 4 homens, pelo menos um dos personagens era motivo de chacota por ser alcoolatra, o outro sempre aplicava a “lei de Gerson” sobre os demais e as mulheres eram chamadas de “bicho bão”. E não pára por aí, os mais famosos anúncios de TV eram produzidos para as empresas de cigarros, eles sempre tinham imagens fascinantes, músicas maravilhosas e pessoas belíssimas, quem não se lembra da Camel, Hollywood, eles faziam intervalo comercial valer a pena.
E quando eramos apenas pequenos bebezinhos, eu me lembro que minha mãe cantava uma música para eu dormir onde eu perdia minha sombracelha, que ela carinhosamente chamava de pestana, num acidente doméstico. Detalhe importante, ela mesmo criou a canção(onde raios ela estava com a cabeça quando fez aquela música?).
Mas apesar de tudo isso eu não me tornei alcoolátra, não tenho medo de remover o excesso de pelos na minha sombracelha, não tenho medo de escuro, não fui envenenada nem atacada por nenhum pedófilo porque corri atrás de doce de Cosme e Damião e nem fumo, mas nada disso acontece porque alguém determinou o que seria correto ou não para a minha educação, mas porque os meus pais e a sociedade ao meu redor naquela época me ensinaram a ter responsabilidade pelos meus atos, que todas as minhas ações produziriam coisas boas e ruins para minha vida, e que eu deveriam me tornar responsável por isso.